
Displasia
coxofemoral
Displasia
coxofemoral é a má formação das articulações
coxofemorais, incidindo em todas as raças, principalmente nas grandes
e de crescimento rápido. Sua transmissão é hereditária,
recessiva,intermitente e poligênica. Fatores nutricionais, biomecânicos
e de meio ambiente, associados à hereditariedade, pioram a condição
da displasia. A suspeita ao exame clínico é possível,
mas é o estudo radiográfico, normalmente a partir dos doze meses
completos de idade na maior parte das raças, mediante posicionamento
correto do animal, que define o diagnóstico.Para tanto o paciente deve
estar livre de qualquer reação.Este estado é atingido
com a anestesia geral, de preferência. O paciente deve estar posicionado
em decúbito dorsal, membros posteriores estendidos caudalmente, de
igual comprimento, paralelos entre si e em relação á
coluna vertebral, rotacionados medialmente, de tal forma que as patelas se
sobreponham aos sulcos trocleares. A pelve não pode estar inclinada.
Na identificação mínima do filme deverá constar
o número de registro do cão, data de nascimento e data do exame
radiográfico .A subluxação, normalmente como primeiro
sinal radiográfico, pode levar à artrose secundária,
assim denominada se desenvolver secundariamente a uma outra alteração,
no caso a displasia.O controle desta má formação se faz
através de uma seleção radiográfica de todos os
animais utilizados na reprodução.O índice de Norbeg é
utilizado para o diagnóstico.Modernamente o tratamento medicamentoso
tem se baseado em produtos com capacidade anabolizante da cartilagem articular
degenerada.
Unitermos: displasia hereditária, estudo radiográfico, subluxação,
índice de Norbeg.
Uma questão de diagnóstico?
Um exame clínico apropriado não é suficiente para o diagnóstico
da displasia. Definitivamente será radiográfico, mediante imagem
de qualidade e animal corretamente posicionado.
Conceito: é a má formação das articulações
coxofemorais . Índice em todas as raças, principalmente nas
grandes e de crescimento rápido. Atinge os dois sexos, podendo comprometer
uma articulação (aproximadamente 10%) ou ambas.
Histórico:Schnelle (1936) descreveu pela primeira vez a displasia coxofemoral
e Konde (1947) comentou sua origem hereditária. Schales (1959) a descreveu
como má formação e indicou o exame radiográfico
para o diagnóstico. Wayne e Riser(1964) relacionaram o crescimento
rápido e precoce e ganho de peso de pastores alemães com transmissão
genética. Henricson,Norberg e Olsson (1966) consideraram-na como má
formação hereditária e a subluxação como
conseqüência da alteração anatômica.
Transmissão:hereditária,recessiva,intermitente e poligênica
(alguns autores tem considerado 20 genes).Fatores nutricionais, biomecânicos
e de meio ambiente (multifatorial), associados à hereditariedade, pioram
a condição da displasia.Recomenda-se fundamentalmente evitar
os traumas, sejam eles da obesidade, dos locais escorregadios,etc...
Etiopatogenia:as estruturas que auxiliam na manutenção das articulações
são: cápsula articular, ligamento acetabular transverso, musculatura
da região, ligamento redondo, pressão negativa articular e aplicação
do acetábulo pelo lábio glenoidal ou ligamento acetabular.Pesquisadores
tem fundamentado seus estudos nas modificações bioquímicas
do líquido sinovial, como a diminuição do cloro(carga
negativa) e aumento do sódio e potássio (cargas positivas).
Em função destas alterações ocorre um aumento
da osmolaridade, que traz como consequência o aumento da quantidade
do mesmo líquido e a sinovite com desidratação da cartilagem
articular. A partir deste instante desenrola-se uma seqüência de
outros episódios, tais como: aumento da pressão intra articular,
aumento da tensão sobre as estruturas moles que mantém a articulacão,
afrouxamento destes tecidos moles, perda da intimidade articular, arrasamento
(ocificação ou calcificação)ou não da cavidade
acetabular (aspesto medial), subluxação (deslocamento lateral
da cabeça femoral, normalmente como primeiro sinal radiográfico),
edema, ruptura parcial ou total do ligamento redondo, micro fraturas acetabulares
criminais e por fim a artrose secundária (secundária porque
se desenvolve secundariamente a uma outra alteração - a diplasia).
Há que se considerar ainda a hipótese de que a displasia é
uma má formação biomecânica, resultante de uma
disparidade entre o desenvolvimento da massa muscular pélvica e o rápido
crescimento do esqueleto
Sintomatologia: ocorre principalmente entre os quatro meses
até menos de um ano de vida. Os cães poderão apresentar
dificul-dades para levantar, caminhar, correr, saltar e subir escadas. A locomoção
pode ser dificultada em lugares lisos. Para correr poderão imitar a
corrida de coelhos. A claudicação poderá afetar um ou
dois membros. No segundo caso observa-se, com alguma freqüência,
que os animais deslocam o peso mais sobre os membros anteriores, desenvolvendo
a musculatura torácica desproporcionalmente em relação
aos posteriores. As passadas podem ser mais curtas, podendo ocorrer relutância
aos exercícios, observando-se preferência pelo sentar ou deitar.
Episódios anormais de agressividade são algumas vezes observados,
inclusive com o proprietário. A displasia pode provocar muitas dores,
andar imperfeito,afetando a resistência do animal.
Exame clínico: baseia-se na observação do animal
em estação, caminhando e trotando, na constatação
de aumentos de volumes e assimetrias e na busca da presença da dor,
crepitação e amplitude do movimento articular, maior na fase
aguda e menor na crônica, já nesta última intensificam-se
as alterações articulares degenerativas, tomando lugar a fibrose
capsular e muscular circundante. Os sinais Ortolani e Bardens devem ser explorados
em cães jovens, anestesiados e colocados em decúbito lateral.
Para para o sinal de Ortolani, posicione o fêmur superior perpendicularmente
ao eixo longitudinal da pelve e paralelamente à superfície da
mesa de exame. Coloque a palma de uma das mãos sobre a articulação
coxofemoral sob avaliação e com a outra segure firmemente a
articulação fêmoro-tíbio-patelar correspondente,
pressionando o fêmur contra o seu acetábulo. Quando esta pressão
é exercida, a cabeça femoral da articulação displásica
subluxa dorso-lateralmente. Mantenha esta pressão e abduza ao máximo
o fêmur. Durante esta manobra você sentirá a cabeça
do fêmur retornará a sua cavidade acetabular, algumas vezes emitindo
um som audível semelhante a um "clunk ". O retorno com ou
sem som é achado clínico que corresponde a um sinal Ortolani
positivo, vindo a confirmar a presença de frouxidão articular.
Para o sinal de Bardens (Figura 3), indicado para animais mais leves e com
menos de três meses de idade, segure o fêmur superior com uma
mão e posicione a outra com o polegar na tuberosidade isquiática,
o indicador sobre o trocanter maior e o dedo médio na tuberosidade
sacral. Abduza o fêmur paralelamente à mesa de exame. O deslocamento
lateral do trocanter maior, além do compatível, percebido pelo
indicador, revela frouxidão articular.
Contenção: o diagnóstico é definitivo
através do exame radiográfico, mediante posicionamento correto
do paciente e imagens de qualidade. O posicionamento normalmente é
alcançado através da anestesia geral, já que estamos
frente a uma patologia muitas vezes dolorosa e de raças geralmente
grandes. A associação farmacológica da tiletamina e zolazepam
proporciona analgesia rápida e profunda e relaxamento muscular. É
uma anestesia dissociativa segura, de efeitos secundários reduzidos.
Recomendamos a administração na dose prescrita por via E.V.(1ml
para cada 10 kg de peso), devido aos efeitos mais rápidos (ganho de
tempo)e pelas doses menores, quando comparadas à aplicação
I.M.. Os riscos de uma anestesia feita com cuidado e com drogas modernas caem
praticamente a zero.
Controle da displasia:todos os animais utilizados na reprodução
devem passar por uma seleção radiográfica. Como condição
mínima necessária, pelo menos os pais dos reprodutores devem
ser insetos de displasia, não sendo preciso ressaltar que quanto mais
longe formos no controle dos ascendentes, melhor será.Os animais aprovados
para a reprodução também o deverão ser quanto
a prova dos descendentes. Não basta apresentar articulações
coxofemorais normais, pois os animais nestas condições podem
transmitir a má formação aos seus descendentes . É
importante esclarecer que as radiografias só avaliam os aspectos fenotípicos
(alteração radiográficas) e não o genótipo.
Freqüêntemente animais sem sinais de displasia são portadores
dos respectivos gens. É preciso deixar muito claro que todos os animais,
com exceção dos de categoria A, sem sinais de displasia coxofemoral(HD
-),do alemão Hüftgelenk Dysplasie e inglês Hip Dysplasia,apresentam
displasia, em menor ou maior grau. Atualmente no Brasil, para fins de reprodução,
é permitido o acasalamento dos cães pertencentes às três
primeiras categorias, ou seja, A(HD -), B(HD +/-)e C(HD +), enquanto que alguns
países, como por exemplo a Alemanha, só são autorizados
para o mesmo fim as classificações A e B. Sugere-se, caso a
fêmea seja C (displasia coxofemoral leve: HD +), que ela deva ter excelentes
características do padrão da raça, como conformação,
temperamento,etc.. Estas virtudes devem superar as deficiências das
articulações. Esta mesma fêmea deveria acasalar com um
macho A, sem sinais de displasia coxofemoral (HD -). As recomendações
para as fêmeas não devem ser aplicadas aos machos, já
que os mesmos transmitirão a displasia para um número muito
maior de filhotes. Animais levemente displásicos tendem transmitir
displasias discretas. É importante ressaltar que os critérios
de acasalamento devem levar em consideração o tamanho do plantel
e a conformação das articulações. Se a população
de animais em uma determinada raça é muito grande e controle
e o controle da displasia é feito rotineiramente há muito tempo,
o critério na reprodução será mais rígido
se comparado com outras raças com número menor de exemplares
e com o controle radiográfico mais incipiente. Caso contrário
limitaríamos tanto os acasalamentos que poderiam não haver mais
animais aptos para este fim. Muitos proprietários questionam diagnóstico
radiográfico, quando o resultado é de displasia moderada ou
severa e quando os cães correspondentes praticam exercícios
diários intensos sem manifestar qualquer sintoma. Isto é perfeitamente
possível, pois sabemos que muitas vezes não há correlação
entre as lesões radiográficas e os sinais clínicos.
Radiografia perfeita: ao se realizar uma radiografia das articulações
coxofemorais para o diagnóstico da displasia, faz-se neces-sária,
preferencialmente, a anestesia geral, podendo ser de curta duração,
de tal forma que o paciente esteja livre de qualquer reação,
com o objetivo de se obter um posicionamento correto. O animal é então
colocado em decúbito dorsal (Figura 4), com os membros posteriores
estendidos caudalmente, de igual comprimento, paralelos entre si e em relação
à coluna vertebral, rotacionados mediante,de tal forma que as patelas
se sobreponham aos sulcos trocleares. A pelve deve estar paralela à
superfície da mesa, ou seja, sem inclinação. Para uma
radiografia de posicionamento adequado é de grande valia uma calha,
utilizada para deitar o animal no seu interior, com a pelve fora da mesma.
Portanto ela é um acessório muito importante para este tipo
de exame. Os membros torácicos são estendidos cranialmente,
tornando-se o cuidado de não haver inclinação do tórax
do animal. Nestas circunstâncias a imagem radiográfica deverá
nos mostrar o seguinte
- ílios simétricos
- canal pélvico ovalado, de contornos simétricos, quando dividido
sagitalmente
- forâmens obturadores simétricos
- fêmures paralelos entre si e com a coluna vertebral
- patelas sobrepostas aos sulcos trocleares
A imagem radiográfica deve permitir a visualização de
toda a pelve, assim como das articulações fêmoro-tíbio-patelares,para
que se possa avaliar a simetria dos ílios e os posicionamentos das
patelas. Se estas não tiverem sobrepostas aos sulcos trocleares, conclui-se
que os posteriores foram rotacionados insuficiente ou excessivamente. Normalmente
é insuficiente, ou seja, a patela tende a se sobrepor mais ao côndilo
lateral do fêmur do que ao sulco propriamente dito.No posicionamento
apropriado das patelas, alcançados através da rotação
mediana dos membros, exerce-se uma força sobre as cabeças femorais,
levando as articulações displásicas à subluxação,
enquanto que o animal normal não correrá o mesmo. Normalmente
é esta subluxação a primeira alteração
radiográfica e em princípio a mais importante.Através
dela é que se determina o grau no índice de Norbeg. As demais
alterações irão se desenvolver como conseqüência
da subluxação, como por exemplo a artrose, por isso denominada
de artrose secundária.Uma radiografia de qualidade deverá ser
bem contrastada, observando-se de forma bem detalhada o bordo acetabular dorsal
e a estrutura trabecular da cabeça e colo femorais. Alcançam-se
estes objetivos utilizado-se bons equipamentos de raios X, é crans
e filmes de boa procedência, revelação por processamento
automático sempre que possível e uma câmara escura que
realmente seja escura, provida de uma lâmpada de segurança que
realmente seja de segurança. Sob a superfície da mesa radiográfica,
no Bucky, faz-se presente a grade anti-difusora, com a função
de absorver a maior parte da radiação secundária. Esta,
quando ausente, produz imagens sem contraste, isto é, de aspecto enfumaçado.
Radiografia inadequada: é aquela sem posicionamento
apropriado, caracterizada principalmente pela assimetria dos ílios,
au-sência de paralelismo entre os fêmures, principalmente por
abdução dos membros, patelas não sobrepostas aos sulcos
trocleares e aquelas sem padrão de imagem, por estarem sub ou super
expostas (claras ou escuras, respectivamente), prejudicando o contraste, tremidas,
manchadas, mal reveladas, etc., bem como aquelas sem dados de identificação
do paciente na emulsão(antes da revelação)do filme.
Diagnóstico: é realizado através do
índice de NorbergBaseia-se na determinação dos centros
das cabeças femorais e da união dos mesmos por intermédio
de uma linha, que nos possibilitará traçar, a partir de um dos
centros uma segunda linha, que tangenciará o bordo acetabular crânio
lateral. As duas linhas formam entre si um ângulo, chamado ângulo
de Norberg. Este é apenas um dos elementos necessários para
o diagnóstico da displasia. Outros fatores devem ser levados em consideração,
tais como o posicionamento do centro da cabeça femoral em relação
ao bordo acetabular dorsal, o aspecto da linha articular, a presença
de alterações articulares degenerativas (artrose secundária)
e a conformação dos bordos acetabulares, principalmente do crânio
lateral. Segundo Norberg o menor ângulo compatível com a normalidade
é 105º , porém pode haver uma articulação
com 105º ou mais e ser classificada como próxima do normal (B)
ou levemente displásica (C), Bastando para isto a presença de
osteófito no bordo acetabular crânio lateral, adulterando o ângulo
ou quando menos de 50 % da cabeça femoral estiver inserida dentro da
cavidade acetabular. Os autores tem preconizado pelo menos 50 %. É
de fundamental importância entender, que em princípio, quanto
maior o ângulo de Norberg, maior será a congruência articular.
Em outras palavras, maior será o contato entre cabeça femoral
e cavidade acetabular ou maior será a intimidade entre elas ou maior
ser'ao encaixe da cabeça femoral. A partir deste momento, quanto menor
a congruência articular, menor será o ângulo e mais evidente
será a subluxação, podendo atingir até a luxação.
Há alguns anos o Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária
- CBRV, através de uma plêiade de médicos veterinários
radiologistas, tem tornado realidade, como em outros países, a emissão
de um Certificado de Controle da Displasia Coxofemoral Canina. Esta nova modalidade
de prestação de serviços surgiu de uma necessidade premente,
já que havia uma enorme discrepância entre os diagnósticos
realizados. Estas discrepâncias levaram e continuam levando inúmeros
criadores a prejuízos incomensuráveis, já que alicerçaram
sua criação em reprodutores supostamente sem displasia. O CBRV,
ao receber a radiografia realizada por médico veterinário, a
examina quanto a qualidade diagnóstica, podendo devolvê-la, caso
a mesma não obedeça aos padrões técnicos exigidos.
1 - Procedimentos técnicos Idade
A avaliação das condições articulares será
feita conclusivamente a partir dos doze meses completos de idade na maior
parte das raças, exceção feita ao Bullmastiff, Dogue
de Bordeaux, Great Dane, Leonberger,Maremma,Mastiff, Mastim Napolitan, Newfoundland,Landseer,Pyrenean
Mountain Dog e St. Bernard, cuja apreciação deverá ser
realizada com pelo menos dezoito meses completos de idade. Avaliações
preliminares das articulações coxofemorais poderão ser
realizadas a partir dos seis meses de idade.
Contenção
Com a finalidade de assegurar a qualidade técnica desejada, é
obrigatória a contenção do paciente, mediante a utilização
de associações farmacológicas capazes de determinar perfeito
relaxamento do animal, para se obter o posicionamento correto e livre de reações
por parte do cão.
O médico veterinário, ao realizar a radiografia, assinará
um termo de responsabilidade, comprometendo-se com esse tipo de contenção.
Posicionamento
Decúbito dorsal com os membros pélvicos em extensão caudal,
paralelos entre si e em relação à coluna vertebral,tomando-se
cuidado de manter as articulações fêmoro-tíbio-
patelares rotacionadas medialmente, de tal forma que as patelas se sobreponham
aos sulcos trocleares.Deve-se ainda ter o cuidado para que a pelve fique em
posição horizontal. Uma segunda radiografia poderá ainda
ser utilizada, com os membros pélvicos flexionados-frog position (posição
de rã).
Identificação do filme
Na identificação mínima permanente do filme, em sua emulsão,deverá
constar o número de registro do animal, raça, data de nascimento,
data do exame radiográfico e a identificação da articulação
coxofemoral direita ou esquerda.
Identificação do paciente
O médico veterinário ao realizar a radiografia deverá
identificar o animal, caso ainda não esteja, por microchip, corretamente
denominado de transponder(Figura 7), ou por tatuagem, para um posterior controle,
se necessário.
Tamanho do filme
Deve ser suficiente para incluir toda a pelve e as articulações
fêmoro-tíbio-patelares do paciente.
Qualidade da radiografia
Serão analisadas as radiografias devidamente identificadas e as que
obedecerem os critérios de posicionamento do animal, cujo padrão
de qualidade ofereça condições de visualização
da micro trabeculação óssea da cabeça e colo femorais
e ainda definição precisa das margens da articulação
coxofemoral, especialmente do bordo acetabular dorsal.
2 - Laudo
O radiologista, ao receber a radiografia, avaliada a sua qualidade para o
diagnóstico, ficando a seu cargo a possibilidade de ser devolvida ao
médico veterinário que a realizou, caso não obedeça
aos padrões técnicos desejados. Para a emissão do laudo
definitiva, cada radiografia será examinada por um dos radiologistas
credenciados pelo CBRV, escolhido por sorteio, que não terá
conhecimento do nome de registro ou mesmo do proprietário do animal.
Cada proprietário terá direito, mediante pagamento dos respectivos
custos, de recorrer a um segundo e último diagnóstico, submetido
ao júri da Displasia Coxofemoral do Comitê Científico
da Federação Cinológica Internacional.
Pré requesitos para a emissão do laudo de displasia coxofemoral
pelo CBRV:
Radiografia das articulações coxofemorais conforme as normas
do CBRV.
Cópia autenticada do pedigree ou da tarjeta do animal.
Termo de responsabilidade do médico veterinário*
Termo de responsabilidade do proprietário ou responsável*
Taxa em dinheiro ou cheque nominal à ABRV
Todas as radiografias encaminhadas ao CBRV deverão ser remetidas de
qualquer parte do Brasil para:
Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária
Caixa Postal 42041 - 04073-970 - São Paulo - SP
FONE: (0_11) 530-9050
* Os termos de responsabilidade devem ser solicitados ao CBRV
Tratamento: poderá ser medicamentoso ou cirúrgico.Relacionam-se
neste último várias possibilidades, desde as mais simples, tais
como, por exemplo, a pectineotomia e a ressecção de cabeça
femoral (artroplastia excisional), até as mais complexas, comO as correções
de desvios do tipo geno valgo e antiversão, a osteotomia tripla de
pelve, a osteotomia intertrocantérica, o alongamento de colo femoral,
a prótese total, etc., e as associações cirúrgicas,
como femoral. Modernamente tem se tratado, não só a displasia
coxofemoral, mas também a displasia do cotovelo, a osteocondrose, a
necrose avascular de cabeça femoral,a espondiloartrose, enfim, todas
as patologias articulares degenerativas(artroses)e inflamatórias (artrites)
através de produtos de origem natural com a propriedade de regenerar
(anabolizar)e proteger a cartilagem articular degenerada, produzindo uma analgesia
natural. Os antiinflamatórios esteróides mascaram a dor, liberando
os movimentos articulares.Estes esteróides somados aos movimentos articulares
tem uma ação de destruição (catabolização)da
cartilagem articular, que é antagônica aos fatores anabolizantes
dos produtos acima referidos. Por esta razão a associação
dos mesmos não deve ser recomendada, muito menos só a aplicação
dos antiinflamatórios. A ação anabolizante do produto
pode ter um resultado final melhor quando acompanhada de medidas apropriadas
de manejo,tais como manter o animal em locais restritos para que o mesmo reduza
sua atividade física, assim como evitar a obesidade do paciente e os
locais escorregadios. Há inclusive a possibilidade de ocorrer um remodelamento
osteoarticular. Este fato é de suma importância, pois os osteófitos
pericondrais poderiam ser, no mínimo, parcialmente reabsorvidos, descomprimido,
por exemplo, as ramificações nervosas eferentes localizadas
nos espaços intervertebrais. Poderíamos evitar a calcificação
dos discos interverterbrais.
Caso estes procedimentos não sejam coroados de êxito, não
podemos deixar de considerar a intervenção cirúrgica
como uma possibilidade adicional.
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Edgar Luiz Sommer - CRMV-SP nº 1556
1. Sócio proprietário do Provet, responsável pelos setores
de radiologia, ultra-sonografia e ecocardiografia; Conselheiro do Conselho
Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo; Diretor
Secretário do Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária;
Diretor pela América do Sul do International Veterinary Radiology Association.
Carlo Leonardo Grieco Fratocchi - CRMV-SP nº 7080
2. Presidente da Associação Brasileira de Radiologia Veterinária;
membro do Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária; Radiologista
do Provet; membro do International Veterinary Radiology Association.
Fonte deste artigo: Revista de Educação Continuada do CRMV-SP.
São Paulo, fascículo 1, volume 1, p.031-035, 1998.
SITE: http://www.redevet.com.br/artigos/dcf5.htm
