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EVOLUÇÃO DOS CÃES
Menos de 14 mil anos os separam: o lobo, ancestral do cão, e o maltês, uma das centenas de raçãs hoje existentes do Canis familiaris. O homem fez do canídeo selvagem o primeiro animal domesticado. E fundamentou uma inabalável relação de amizade.
Canídeos comedores de matéria morta sobreviveram nesse nicho alimentar e as geraçoes seguintes acabaram adaptando-se cada vez mais. "A unica característica escolhida pela seleçao natural foi a capacidade de comer perto do ser humano”, diz o biólogo Raymond Coppinger. No plano molecular nao houve mudança: a constituicao do DNA do lobo e a do cao sao quase ïdénticas. Nenhuma outra espécie apresenta tanta diversidade como o cão. Todas as raças caninas, porém, compartilham certas características, provindas de uma origem comum. Quando os canídeos se adaptaram aos assentamentos humanos, desenvolveram um temperamento manso e uma série de qualidades geneticamente vinculadas à capacidade de ser treinado, de abanar a cauda e de ter várias cores de pêlo. Seu crànio e seus dentes ficaram menores do que os dos lobos, pois não precisavam mais atacar grandes animais.

Ao abdicar de carne para comer lixo humano, seu cérebro ficou menor. O produto final foi um animal que poderíamos reconhecer como o vira lata de hoje. Desde então as primeiras raças surgiram com um mínimo de intervenção humana. As pessoas começaram a escolher e criar os cães para determinadas habilidades, como caçar ou servir de guarda mínimo de intervenção humana. As pessoas começaram a escolher e criar os cães para determinadas habilidades, como caçar ou servir de guarda. O ambiente também formou as primeiras raças. Nos climas frios, os cachorros maiores, de pelagem mais densa densa, eram mais aptos a sobreviver. Ao longo dos séculos o ser humano começou a Cruzar animais Com Características desejáveis, produzindo espécies híbridas. Criou assim uma variação maior de formas do que poderiam aparecer na natureza. Os gráficos ahaixo mostram como o esqueleto do lobo foi manipulado pela evolução sem perder nem um único osso.

A variação dos cães foi possibilitada também pelos genes que afetam o ritmo de seu desenvolvimento como feto e filhote. Ao contrário do que acontece com os gatos, a cabeça do filhote nao é apenas menor, mas tem proporções diferentes da cabeça do cão adulto. Por exemplo: o crânio de um buldogue que tem a cara afundada em em cima e o maxilar projetado para a frente, é resultado de um processo de crescimento do focinho que começa tarde e segue devagar. O restante do crânio forma-se de maneira a adaptar-se a esse focinho curto. Em contraste, o borzoi tem um focinho longo e fino, que começa a crescer ainda no útero.
A fundação dos clubes de cães no século 19 acelerou a seleção artificial e incentivou a criação de novas raças. A maioria das criadas desde 1900 teve como prioridade a aparência.

AS RAÍZES DO CÃO.

Há 8 milhões de anos, na regiao onde hoje são as grandes planícies dos Estados Unidos, um poderoso canídeo chamado Epicyon ataca um herbívoro com chifres (abaixo, esq). Atrás dele, uma matilha rodeia um ancestral do porcodo-mato. Quando o clima esfriou, o Epicyon e outros da subfamília dos Borophaginae (lado oposto, direita) entraram em extinção, tal como as presas que perseguiam. Sendo mais adaptável, o Eucyon, com dentes aptos para comer carne e plantas, sobreviveu. As espécies derivadas migraram para a Europa (mapa) e se transformaram em lobos.

Caminho pelo Mundo
A linhagem dos cães cornecou há 37 milhóes ele anos, na America cio Norte, com predadores que tinham pares de dentes capazes ele rasgar a carne. Os canideos chegaram a Europa 7 milhóes de anos atrás, mas foi o Eucyon, numa migração para o oeste entre 4 e 6 milhões de anos atrás, que originou a maioria dos canídeos modernos, incluindo os lobos o os coiotes


Fiéis Companheiros
Os cães evoluiram perto dos seres humanos e não são capazes de existir sem eles – mesmo aqueles sem dono, que sobrevivem ainda hoje remexendo o lixo. Essa relaçãotornou-se tão intima que muitos consideram os cães criaturas especiais. “O cão doméstico existe de maneira precária numa terra de ninguem, entre o humano e o não humano – não é pessoa nem animal”, escreveu o biólogo James Serpell. Os antigos consideravam os cães mensageiros dos vivos aos mortos. Hoje porém, eles são usados em experiencias que poderiam ameaçar a vida humana.Fonte: Revista National Geographic Brasil – Janeiro 2002
OS PRIMEIROS SINAIS DE CONVÍVIO
Há 12 mil anos, numa regiao que hoje é parte de Israel, um grupo de caçadores depositou um corpo numa sepultura. Tinha nas mãos um filhote de animal. Se era cão ou lobo, nao podemos saber, mas esta sepultura é uma das primeiras evidências fósseis da domesticacao canina. Os cientistas sabem que o processo ocorria 14 mil anos atrás, mas nao há consenso quanto à razão. Para alguns, o homem começou a adotar filhotes de lobo e a seleção natural favoreceu os que eram menos agressivos e mais aptos a implorar comida. Para outros, os cães domesticaram-se sozinhos, vivendo do lixo deixado pelo homem.