Trecho
extraído do livro - Sintomas mentais dos animais domésticos,
Ed Mythos,
Segundo a autora, o homem ao aproximar características desejáveis
do animal, aproximou geneticamente também todas as características
indesejáveis em formas de doenças. Com o passar dos anos conseguiu
passar para a bagagem genética este potencial negativo.
O homem no processo de domesticação realizou um trabalho exatamente
ao contrário daquele feito pela natureza.
Cruel de uma forma ímpar, a natureza só permite que se reproduzam
os melhores, distanciando os genes com características indesejáveis
como: displasia coxofemoral, catarata, más-formações,
alergias, tumores, perda prematura de dentes etc.
O cão e o gato sofrem da mesma forma que o homem do stress causado
pela civilização, que acrescenta maior sofrimento à
síndrome da domesticação.
Surgem situações para as quais a medicina convencional não
encontra solucão.
Se o cão não sobrevive sem o auxílio do homem, na verdade
o homem sente-se desvalido sem o seu companheiro doméstico.
A chave do sucesso da repertorização, não apenas na
medicina veterinária, mas para o médico, encontra-se na real
compreensão do sintoma, como sintoma homeopático, aliado à
peculiaridade do raro e estranho e total compreensão do significado
da palavra, devendo todos os sintomas serem estudados até o seu total
entendimento.
Naturalmente é de extrema importância a avaliação
do médico veterinário das condutas, comportamentos ou padrões
relativos às distintas espécies e dentro de cada espécie
a sua faixa etária. Considerar um cão com poucos meses com
o sintoma "morder" não é real, este é o seu
contato com o mundo, é a sua forma de expressar a necessidade de
exercitar-se em atividades lúdicas; tampouco é correto considerar
as aves assustadiças por barulhos que possam produzir, pois isto
expressa apenas a reação normal destes seres.A autora agrupa
os sintomas mentais em grupos:
1- Humor
2- Personalidade e
caráter
3- Sensibilidade
4- Conduta
5- Ilusão
6- Intelectualismo
7- Amor (sexual)
A autora exemplifica:- Ansiedade- Alegria- Angústia-
Aflição (pena)- Cólera- Consolo (inconsolável)-
Desespero- Desejos (caprichos) - Desalento- Descontentamento - Excitação-
Irritabilidade - Inquietude - Indiferença - Ira- Impaciência
- Medo- Mau humor- Preocupação - Remorso (remordimento) -Saudades-
Tristeza- Desejo de/aversão de: - Companhia- Lhe falem - Lhe olhem
- Lhe toquem - Responder (contestar)
2- Personalidade e caráter
A autora exemplifica por um conjunto de emoções:- Altivez
- Avaro- Autoritário- Ciúmes (celos) - Contente- Censurador-
Contradição (intolerante) - Covardia- Contradizer (disposição)-
Cruel- Desconfiado - Depreciativo - Egoísta - Egolatra - Excêntrico
- Falta de autoconfiança- Irresoluto- Impetuoso - Inveja - Impertinente
- Meigo- Meticuloso - Obstinado - Quieto- Reservado - Rancoroso- Sério-
Sonhador - Timidez - Vaidade
3- Sensibilidade
- Assustadiço- Abandono (sentimento de)- Compassividade- Excitação-
Feridas (não pode ver)- Lua- Luz- Magnetizado - Música- Ofende-se-
Sensível- Sustos- Sobressaltos- Sangue (não pode ver) - Sentidos
agudos- Sentimental - Transtornos
4- Conduta
- Abraça- Agarra-se (aferra-se)- Apressado- Assobia- Atividade -
Blasfema- Brigas (peleador)- Caminhar- Canta- Casa (deseja voltar) - Cleptomania-
Dança- Desobediente - Destrutividade - Escapa- Ferocidade - Gestos-
Gritos - Ladra- Lento- Libertinagem - Linguagem - Loquacidade - Mentiroso-
Lamentos- Golpeia- Joga objetos (arroja objetos)- Murmurar- Piromania- Pranto
(Ihanto)- Queixas (quejidos) - Resposta- Reza - Riso- Rompe- Simula (enfermidade)-
Suicídio- Sujo (suciedad) - Suspira- Salta- Toca tudo- Trabalhador
(industrioso) - Vaga- Violento
5- Ilusão
Absorto - Alocado (comportamento) - Delírio- Delirium tremens - Demência-
Dipsomania - Estupefação - Estupor- Euforia- Êxtase-
Fanatismo - Fantasias - Fora de si - Hidrofobia - Histeria- Idiocia - lusões-
Imbecilidade - Inconsciência- Insônia- Mania- Monomania- Sono
(como num sonho)- Tempo- Torpor
6- Intelecto
- Calcular- Embotamento- Empreender- Erros- Escrever- Esforço mental
- Ler - Linguagem- - Matemática - Memória- Negócios
- Pensamentos- Reconhece- Teorizador- Trabalho (manual e mental) - Vontade
7- Amor
(sexual) - Afetação (afeminado) - Afeto (necessidade de)-
Afetuoso- Amor (decepção de) - Amoroso- Apaixonado - Casamento-
Desejo sexual - Erotismo - Gravidez (embarazo) - Homens (temor a) - Lascivo-
Masturbação - Menopausa - Mulheres (aversão) - Ninfomania
- Obsceno - Satiríase
Se analisarmos todos os grupos de sintomas observamos que existem demonstrações
destasemoções nos animais domésticos em todos os grupos.
Basta o médico veterinário ser atento e cuidadoso. Não
existe exclusão de um grupo de sintomas por ser mais nobre e inerente
à espécie humana.A visão do médico veterinário
homeopata diante dos sintomas mentaisConclui a autora, que “é
indiscutível a utilidade do repertório quando se executa homeopatia
na medicina veterinária. Tratando-se de um dicionário que
correlaciona os sintomas aos medicamentos, sua utilização
agiliza a determinação do diagnóstico terapêutico.
Os métodos para sua utilização são os mesmos
empregados na medicina; no entanto, quando referese ao capítulo de
sintomas mentais, surgem comentários de médicos e inclusive
de médicos veterinários do tipo:
- A homeopatia é muito nobre para ser utilizada na Medicina Veterinária,
pode-se ajudar com alguns medicamentos locais.
- A experimentação dos medicamentos foi realizada no "homem
são", logo estes somente podem ser utilizados pelo homem.
- É impossível realizar a verdadeira homeopatia, a determinação
do medicamento único, objetivando o "simillimum" na medicina
veterinária, pois não podem ser utilizados os sintomas nobres
como as sensações, ilusões e sonhos.
- Wolff, médico veterinário homeopata, autor de Tratando o
cão (gato) pela homeopatia, preconiza os sintomas subjetivos (alterações
da psique, impressões, sentimentos, dores), praticamente inexistentes
para o veterinário, baseando-se nos sintomas objetivos (como sede,
vômito, diarréia, osse, queda de pêlos etc). LEDO ENGANO!
O dicionário torna-se nosso aliado, e dos animais domésticos,
ao esclarecer que "Ilusão" é pura ilusão!
Ou seja, do latim "illusione", significa: engano dos sentidos
ou da mente, que faz que se tome uma coisa por outra, que se interprete
erroneamente um fato ou uma sensação. Falsa aparência,
sonho, devaneio. (Novo Dicionário Aurélio da Língua
Portuguesa).
Aqueles que se referem à limitação do uso da homeopatia
nos animais domésticos atestam sua própria ignorância,
pois se medicamentos experimentados em animais são eficazes no homem,
o que impede a recíproca de ser verdadeira? Deveriam aprofundar seus
conhecimentos na história da Homeopatia, pois há um relato
do próprio Samuel Hahnemann em Leipzig, em que afirma:
- "Quanto mais estreita é a relação entre os sintomas
mórbidos do remédio escolhido e os sintomas do animal doente,
mais exata e também mais rápida e permanente será a
cura da doença desse animal, com uma certeza que muito se aproxima
da certeza matemática. Por certo, somente um observador inexperiente
e obtuso jamais desejaria denegar que os animais mostram sintomas de suas
doenças tanto e tão claramente quanto os homens. Eles não
têm fala, mas as muitas alterações que podem ser notadas
em sua aparência, sua conduta e suas funções naturais
e vitais servem como substituto perfeito à palavra. Um animal nada
sabe de fingimento, nem como o homem exagera sua expressão de dor,
ou esconde seus sentimentos e inventa sintomas que não existem. O
homem oscila tantas vezes de um lado para outro nesse particular, refreado
pela sua educação, corrompido em sua
moral, ou levado pelas suas paixões. É óbvio, de imediato,
que tudo que o animal revela de sua doença pelos sintomas é,
em verdade, a expressão verdadeira de seu estado interno, e é
a imagem pura e autêntica da doença. Em uma palavra, os animais
assim como os homens, podem ser curados do mesmo modo seguro e digno de
confiança pelo método homeopático.
Talvez possa eu ter a honra, em outra ocasião, de falar a esta distinta
assembléia sobre o equipamento e manutenção de estábulos
para animais doentes.
Então por hoje é o suficiente, com pelo menos um sinal de
alerta para um meio eficiente de livrar nossos animais domésticos,
que tanto significam para nós, de suas doenças.
Essas pobres criaturas, incapazes de julgar seus atormentadores, também
merecem a compaixão do cidadão humanitário."